As revoluções russas (na verdade foram duas) completaram 100 anos em 2017. E foram um grande marco na história mundial. Elas mudaram para sempre a nossa forma de pensar o mundo. Elas provocaram uma reflexão profunda sobre o nosso papel no mundo. Até então, só havia um sistema sócio-econômico, o capitalismo que perdura até nossos dias. E desde o Manifesto Comunista de Karl Marx em plena Revolução Industrial em sua segunda fase, preconizou o que viria: encontrarmos uma alternativa a um sistema que acumulava cada vez mais capital a poucos e marginalizava muitos, condenando estes a uma existência precária sem necessidades básicas plenamente atendidas.
E foi assim, em 1917 que duas correntes russas de pensamento, os mencheviques (de Trotski) e os bolcheviques (de Vladimir Lenin) decidiram por em prática o Socialismo Científico e protoganizaram as duas revoluções, a de fevereiro e a de outubro, que é a revolução russa mais conhecida, a fim de derrubar a tirania mais longeva do mundo: a da monarquia russa, dos czares que mantinha indecentemente, um sistema agrário, pobre de distribuição de terras completamente desigual que gerava desigulaldade social extrema. Então, o objetivo das revoluções russas era derrubar uma monarquia canhestra que controlava a Rússia com mão de ferro para manter um sistema injusto. O contexto da primeira guerra mundial contribuiu decisivamente para isso, pois esta arrasou a Rússia que era um país agrário e pobre. Com isso a revolução russa teve o ambiente ideal para triunfar e mudar a forma do mundo pensar para sempre.
Hoje em dia com o avanço da tecnologia que mudou o mundo para sempre, o socialismo também precisou mudar. A ditadura do proletariado que norteou o início das mudanças na Rússia, transformando na União Soviética não cabe mais no mundo. Apenas um país ainda a mantém, a Coreia do Norte que, não por um acaso tem aparecido com frequência nos noticiários a querer algumas encrencas, com a tentativa de gerar artefatos atômicos e gerando calafrios nas nações mais desenvolvidas. O comunismo e o socialismo teriam uma outra revolução, a partir de 1978, quando Deng Xiaoping assume o comando político do Partido Comunista da China. Depois da revolução de Mao Tse Tung na década de 60,,Xiaoping opta por um viés diferente de Mao ao adotar reformas econômicas no modelo comunista chinês, que se tornou obsoleto e não atendia mais aos anseios de 1 bilhão de pessoas. De certa forma, adotou a NEP preconizada por Lenin, quando da revolução russa de 1917, mas que preconizou uma guinada que hoje faz com que a China seja hoje a segunda economia mundial. É o começo do que hoje chamamos de Socialismo de Mercado, que o Estado mantém os meios de produção mas que procura manter salários e igualdade de oportunidades às pessoas, mas que não pressupõe aumento brutal de impostos, mas que foca pesados investimentos em produção industrial. Nisso se contrapõe à Social Democracia que pressupõe carga mais alta de impostos às classes mais altas da população. O socialismo de mercado hoje foi adotado pelo Laos, Vietnam e Cuba. O estado de bem estar social foi inspirado em conceitos socialistas, mas foi preconizada por países outrora puramente capitalistas, penalizados em sua política visando apenas o lucro gerando miséria à sua volta. De certa forma , a revolução gerou reflexão em várias partes do mundo, determinando mudanças até no próprio capitalismo, fazendo com que o mundo refletisse que o capitalismo com visão predatória, destruidora do meio ambiente, devastando florestas, poluindo rios, acabando assim com o sustento de populações ribeirinhas inteiras, que viviam da agricultura às margens dos rios e a pesca também procurasse se transformar. Daí o surgimento da Social Democracia europeia que comanda os estados de bem estar social, com políticas mais à esquerda. Parabéns a Lenin e Trotski que mudaram o mundo e para sempre.
E o Brasil neste contexto todo ? Infelizmente, a cada dia que passa, parece que voltamos para os séculos passados. Reformas econômicas extremamente contestáveis. Como a trabalhista que entra hoje para retirar uma série de direitos do trabalhadores com a argumentação de gerar mais empregos e flexibilizar as relações de trabalho. Na verdade essa reforma é extremamente lesiva às pessoas pois gerará empregos com salários de fome. A verdade é essa. O empregador passará a pagar menos para o trabalhador, pois ele poderá empregar duas pessoas, dividindo o salário que ele pagava para um trabalhador, para dois. Ou seja, achatamento salarial. As ilegalidades que os empregadores cometiam na CLT, não deixarão de ser cometidas, segundo o procurador do MPT (Ministério Público do Trabalho) Ronaldo Fleury. Ou seja, se os empresários quiserem burlar a lei, como muitos fazem hoje, continuarão a fazê-lo. Em relação a da Previdência, muito da proposta foi cortado, mas pretendem manter a idade mínima e a tentativa de igualar os servidores públicos e os trabalhadores da iniciativa privada. O que os governantes e o Congresso se esquecem é de que os servidores públicos e o pessoal da iniciativa privada seguem legislações diferentes de trabalho. Os servidores públicos não possuem FGTS e outras garantias existentes na iniciativa privada. Com isso, como compensação o Estatuto do Servidores Públicos, o RJU estabeleceu a aposentadoria integral. Então os regimes de aposentadoria de ambos não são diferentes do nada. A opinião pública deveria saber disso antes de atacar os servidores. Isto não é privilégio. É lei. E a mídia deveria dizer a verdade, quando a JBS, grupo Itaú e outros devem 450 bilhões de reais à Previdência, dados divulgados recentemente na CPI da Previdência, encerrada há poucos dias pelo Senado. Mas a mídia não divulga isso, porque ela também deve à Previdência, no bolo dos 450 bilhões. É muito fácil dizer que a culpa do rombo da Previdência é culpa do funcionalismo público. Pois é, uma hora a verdade aparece, não é mesmo ?
