Em tempos atualmente difíceis, trataremos aqui de assuntos mais amenos. E então vamos a análise dos jogos de 2019, o Pan de Lima. Em relação a Tóquio 2020. Vamos aos fatos
Foi o melhor Pan para a delegação brasileira desde 1963. Ficamos em segundo lugar no quadro de medalhas. 55 de ouro, 45 de prata e 71 de bronze. Total de 171 pódios. Em termos práticos, para Tóquio 2020, isso significa pouca coisa. Claro que os atletas tiveram seus méritos. Porém uma coisa é um pódio em um PAN, outra é o pódio em jogos olímpicos. O que é espantoso foi a colocação do México à frente do Canadá, com 2 medalhas de ouro a mais. Depois de uma campanha em que o Canadá teve mais de 80 ouros em Toronto, bem à frente do Brasil na terceira colocação, o Canadá teve menos da metade dos ouros em Lima. Há alguns anos, o Brasil tem disputado com o Canadá o posto de segunda força das Américas, já que Cuba tem declinado com o passar dos anos. Mas ter ficado atrás do México que, tradicionalmente, ficava atrás de Cuba, Canadá e tals é sintomático.
Agora, por esporte, avaliando friamente, o Brasil ganhou em boa parte das modalidades onde era esperado e em outras, tombos preocupantes. No basquete feminino, uma grata surpresa: o ouro depois de quase 30 anos. No vôlei, 2 tombos, onde se permitiu a reação da Colômbia no vôlei feminino e a derrota para Cuba no masculino. Com todo o respeito às duas seleções, Colômbia sequer desponta no cenário olímpico e mundial do vôlei e Cuba tem um passado de respeito. Mas hoje Cuba não é nem sombra do que foi. Derrota por 3 a 0 no vôlei masculino inaceitável. Já no handebol masculino, outro tropeço diante do Chile. Quem é Chile no handebol. O Chile não consegue ganhar do Brasil nem no futebol, onde pode dar trabalho... Outra derrota também inaceitável. Por outro lado, tivemos boas surpresas no atletismo, como Altobelli Santos nos 3000m, o 4 x 100 feminino. 2 ouros inesperados. Só que em Tóquio a estória será outra. Ambos os atletas terão que dar a vida. Afinal, no 4 x 100, a Jamaica é favoritíssima ao ouro em Tóquio. E optaram por mandar equipe B ou C ao Pan. Na canoagem, 2 ouros esperados e um 1 surpreendente. No vôlei de praia, duas medalhas de bronze. É preciso atenção em Tóquio. No tênis de mesa, uma queda inesperada por equipes, mas Hugo Calderano conquistou seu ouro. E na natação, a equipe correspondeu dentro do esperado. No entanto, em Tóquio, com os EUA coma a equipe A, a Austrália, França e Hungria, o nível sobe e somente os que treinam bem é que conseguirão repetir o ouro. O 4 x 100m por exemplo terá que dar a vida, assim como Fratus nos 50m livre e Marcelo Chierighini nos 100m livre.
Diante dos fatos aí elencados, é bom termos senso de realismo. As 55 medalhas de ouro no PAN dificilmente se repetirão em Tóquio. A verdade é que os jogos do PAN são a nível continental; logo muitas equipes não vêm completas. Os EUA vieram com atletas jovens e/ou time B em algumas das modalidades. Mesmo assim, são atletas que futuramente substituirão os que hoje estão na equipe A. No caso das equipes de vôlei do Brasil, foram mandados os times B, porque os titulares disputavam os torneios pré-olímpicos. É claro que nomes como Artur Zanetti, que não foi bem no PAN, Isaquias Queiroz e o iatismo que ganharam o ouro, são potenciais candidatos ao ouro em Tóquio. Então, das 55 medalhas de ouro em Lima, pode ser que 1/5 dessas medalhas possam se repetir em Tóquio, fora os times de vôlei masculino e as duplas de vôlei de praia, talvez o futebol. Dificilmente as do tênis, squash, badminton irão se repetir. Algumas do judô também não devem se repetir, assim como no caratê e no taekwondo. As do surf pode ser que se repitam. E ainda tem o skate. Talvez em Tóquio, o Brasil possa evoluir e fazer uma boa campanha. Mas devemos ter consciência de que os nossos atletas precisam de um preparo mental grande, de forma a não perder o foco. Na Rio 2016, alguns de nossos atletas não conseguiram o ouro por conta dessa preparação. Vamos em frente. Parabéns ao time Brasil pelo desempenho no Pan. Mas Tóquio 2020 é logo ali.
