domingo, 29 de agosto de 2021

Crise Entre Poderes - A Quem Interessa


 
 Frequentemente, temos visto no noticiário, uma guerra declarada do Poder Executivo com os demais poderes.  E com que objetivo ?  Desde que a chapa Bolsonaro/Mourão foi eleita, tem sido observado com constância vídeos e palavras agressivas do atual mandatário contra juízes do STF e do Congresso com uma frequência jamais vista em governos anteriores.

Desde que o ministro do STF, Alexandre de Moraes, abriu o inquérito das fake news, nos últimos meses, sofreu ataques da ala bolsonarista. Um dos principais alvos desse inquérito é o blogueiro Allan dos Santos.  O grande mote dessa investigação chegou a um ponto nevrálgico: o quanto Allan e outros sites de apoio ao atual presidente lucraram com as fake news. Há forte suspeitas de drenagem de recursos públicos para Allan e esses sites.  Então, eis a pergunta do artigo : a quem interessam esses ataques antidemocráticos ?  A um projeto de poder ?  A um grupo que tem essa divulgação como atividade lucrativa ?

Seja como for, o fato é que, a partir do momento em que dinheiro público é usado para fins políticos e empresas e/ou pessoas físicas que se beneficiem disso, isso configura no mínimo em improbidade administrativa, pois claramente há um grupo privado se beneficiando de dinheiro público.  Por isso que, na ditadura militar, existia o recurso da censura.  O espectador jamais saberia que havia drenagem de recurso público a quem não deveria.  Resta saber até onde pode chegar esta crise.


segunda-feira, 12 de agosto de 2019

Jogos Pan-americanos 2019 - Balanço Final

Em tempos atualmente difíceis, trataremos aqui de assuntos mais amenos. E então vamos a análise dos jogos de 2019, o  Pan de Lima. Em relação a Tóquio 2020. Vamos aos fatos

Foi o melhor Pan para a delegação brasileira desde 1963. Ficamos em segundo lugar no quadro de medalhas. 55 de ouro, 45 de prata e 71 de bronze.  Total de 171 pódios.   Em termos práticos, para Tóquio 2020, isso significa pouca coisa.  Claro que os atletas tiveram seus méritos.  Porém uma coisa é um pódio em um PAN, outra é o pódio em jogos olímpicos.  O que é espantoso foi a colocação do México à frente do Canadá, com 2 medalhas de ouro a mais.  Depois de uma campanha em que o Canadá teve mais de 80 ouros em Toronto, bem à frente do Brasil na terceira colocação, o Canadá teve menos da metade dos ouros em Lima.  Há alguns anos, o Brasil tem disputado com o Canadá o posto de segunda força das Américas, já que Cuba tem declinado com o passar dos anos. Mas ter ficado atrás do México que, tradicionalmente, ficava atrás de Cuba, Canadá e tals é sintomático.

Agora, por esporte, avaliando friamente, o Brasil ganhou em boa parte das modalidades onde era esperado e em outras, tombos preocupantes.   No basquete feminino, uma grata surpresa: o ouro depois de quase 30 anos. No vôlei, 2 tombos, onde se permitiu a reação da Colômbia no vôlei feminino e a derrota para Cuba no masculino.  Com todo o respeito às duas seleções, Colômbia sequer desponta no cenário olímpico e mundial do vôlei e Cuba tem um passado de respeito.  Mas hoje Cuba não é nem sombra do que foi.   Derrota por 3 a 0 no vôlei masculino inaceitável.   Já no handebol masculino, outro tropeço diante do Chile. Quem é Chile no handebol.  O Chile não consegue ganhar do Brasil nem no futebol, onde pode dar trabalho... Outra derrota também inaceitável.  Por outro lado, tivemos boas surpresas no atletismo, como Altobelli Santos nos 3000m, o 4 x 100 feminino. 2 ouros inesperados.  Só que em Tóquio a estória será outra.  Ambos os atletas terão que dar a vida.  Afinal, no 4 x 100, a Jamaica é favoritíssima ao ouro em Tóquio. E optaram por mandar equipe B ou C ao Pan. Na canoagem, 2 ouros esperados e um 1 surpreendente.  No vôlei de praia, duas medalhas de bronze. É preciso atenção em Tóquio.   No tênis de mesa, uma queda inesperada por equipes, mas Hugo Calderano conquistou seu ouro. E na natação, a equipe correspondeu dentro do esperado.  No entanto, em Tóquio, com os EUA coma a equipe A, a Austrália, França e Hungria, o nível sobe e somente os que treinam bem é que conseguirão repetir o ouro.  O 4 x 100m por exemplo terá que dar a vida, assim como Fratus nos 50m livre e Marcelo Chierighini nos 100m livre.

Diante dos fatos aí elencados, é bom termos senso de realismo.  As 55 medalhas de ouro no PAN dificilmente se repetirão em Tóquio.  A verdade é que os jogos do PAN são a nível continental; logo muitas equipes não vêm completas.  Os EUA vieram com atletas jovens e/ou time B em algumas das modalidades. Mesmo assim, são atletas que futuramente substituirão os que hoje estão na equipe A.  No caso das equipes de vôlei do Brasil, foram mandados os times B, porque os titulares disputavam os torneios pré-olímpicos.  É claro que nomes como Artur Zanetti, que não foi bem no PAN, Isaquias Queiroz e o iatismo que ganharam o ouro, são potenciais candidatos ao ouro em Tóquio. Então, das 55 medalhas de ouro em Lima, pode ser que 1/5 dessas medalhas possam se repetir em Tóquio, fora os times de vôlei masculino e as duplas de vôlei de praia, talvez o futebol.  Dificilmente as do tênis, squash, badminton irão se repetir.  Algumas do judô também não devem se repetir, assim como no caratê e no taekwondo.  As do surf pode ser que se repitam.  E ainda tem o skate.  Talvez em Tóquio, o Brasil possa evoluir e fazer uma boa campanha. Mas devemos ter consciência de que os nossos atletas precisam de um preparo mental grande, de forma a não perder o foco.  Na Rio 2016, alguns de nossos atletas não conseguiram o ouro por conta dessa preparação.  Vamos em frente. Parabéns ao time Brasil pelo desempenho no Pan.  Mas Tóquio 2020 é logo ali.

sábado, 11 de novembro de 2017

A revolução russa, o socialismo e nossos problemas



As revoluções russas (na verdade foram duas) completaram 100 anos em 2017.  E foram um grande marco na história mundial. Elas mudaram para sempre a nossa forma de pensar o mundo. Elas provocaram uma reflexão profunda sobre o nosso papel no mundo. Até então, só havia um sistema sócio-econômico, o capitalismo que perdura até nossos dias. E desde o Manifesto Comunista de Karl Marx em plena Revolução Industrial em sua segunda fase, preconizou o que viria: encontrarmos uma alternativa a um sistema que acumulava cada vez mais capital a poucos e marginalizava muitos, condenando estes a uma existência precária sem necessidades básicas plenamente atendidas.

E foi assim, em 1917 que duas correntes russas de pensamento, os mencheviques (de Trotski) e os bolcheviques (de Vladimir Lenin) decidiram por em prática o Socialismo Científico e protoganizaram as duas revoluções, a de fevereiro e a de outubro, que é a revolução russa mais conhecida, a fim de derrubar a tirania mais longeva do mundo: a da monarquia russa, dos czares que mantinha indecentemente, um sistema agrário, pobre de distribuição de terras completamente desigual que gerava desigulaldade social extrema. Então, o objetivo das revoluções russas era derrubar uma monarquia canhestra que controlava a Rússia com mão de ferro para manter um sistema injusto. O contexto da primeira guerra mundial contribuiu decisivamente para isso, pois esta arrasou a Rússia que era um país agrário e pobre. Com isso a revolução russa teve o ambiente ideal para triunfar e mudar a forma do mundo pensar para sempre.

Hoje em dia com o avanço da tecnologia que mudou o mundo para sempre, o socialismo também precisou mudar.  A ditadura do proletariado que norteou o início das mudanças na Rússia, transformando na União Soviética não cabe mais no mundo. Apenas um país ainda a mantém, a Coreia do Norte que, não por um acaso tem aparecido com frequência nos noticiários a querer algumas encrencas, com a tentativa de gerar artefatos atômicos e gerando calafrios nas nações mais desenvolvidas.  O comunismo e o socialismo teriam uma outra revolução, a partir de 1978, quando Deng Xiaoping assume o comando político do Partido Comunista da China.  Depois da revolução de Mao Tse Tung na década de 60,,Xiaoping opta por um viés diferente de Mao ao adotar reformas econômicas no modelo comunista chinês, que se tornou obsoleto e não atendia mais aos anseios de 1 bilhão de pessoas.  De certa forma, adotou a NEP preconizada por Lenin, quando da revolução russa de 1917, mas que preconizou uma guinada que hoje faz com que a China seja hoje a segunda economia mundial.  É o começo do que hoje chamamos de Socialismo de Mercado, que o Estado mantém os meios de produção mas que procura manter salários e igualdade de oportunidades às pessoas, mas que não pressupõe aumento brutal de impostos, mas que foca pesados investimentos em produção industrial. Nisso se contrapõe à Social Democracia que pressupõe carga  mais alta de impostos às classes mais altas da população. O socialismo de mercado hoje foi adotado pelo Laos, Vietnam e Cuba.  O estado de bem estar social foi inspirado em conceitos socialistas, mas foi preconizada por países outrora puramente capitalistas, penalizados em sua política visando apenas o lucro gerando miséria à sua volta. De certa forma , a revolução gerou reflexão em várias partes do mundo, determinando mudanças até no próprio capitalismo, fazendo com que o mundo refletisse que o capitalismo com visão predatória, destruidora do meio ambiente, devastando florestas, poluindo rios, acabando assim com o sustento de populações ribeirinhas inteiras, que viviam da agricultura às margens dos rios e a pesca também procurasse se transformar. Daí o surgimento da Social Democracia europeia que comanda os estados de bem estar social, com políticas mais à esquerda. Parabéns a Lenin e Trotski que mudaram o mundo e para sempre.

E  o Brasil neste contexto todo ? Infelizmente, a cada dia que passa, parece que voltamos para os séculos passados.  Reformas econômicas extremamente contestáveis. Como a trabalhista que entra hoje para retirar uma série de direitos do trabalhadores com a argumentação de gerar mais empregos e flexibilizar as relações de trabalho.  Na verdade essa reforma é extremamente lesiva às pessoas pois gerará empregos com salários de fome. A verdade é essa. O empregador passará a pagar menos para o trabalhador, pois ele poderá empregar duas pessoas, dividindo o salário que ele pagava para um trabalhador, para dois. Ou seja, achatamento salarial.  As ilegalidades que os empregadores cometiam na CLT, não deixarão de ser cometidas, segundo o procurador do MPT (Ministério Público do Trabalho) Ronaldo Fleury.  Ou seja, se os empresários quiserem burlar a lei, como muitos fazem hoje, continuarão a fazê-lo.  Em relação a da Previdência, muito da proposta foi cortado, mas pretendem manter a idade mínima e a tentativa de igualar os servidores públicos e os trabalhadores da iniciativa privada.  O que os governantes e o Congresso se esquecem é de que os servidores públicos e o pessoal da iniciativa privada seguem legislações diferentes de trabalho. Os servidores públicos não possuem FGTS e outras garantias existentes na iniciativa privada. Com isso, como compensação o Estatuto do Servidores Públicos, o RJU estabeleceu a aposentadoria integral.  Então os regimes de aposentadoria de ambos não são diferentes do nada.  A opinião pública deveria saber disso antes de atacar os servidores. Isto não é privilégio. É lei. E a mídia deveria dizer a verdade, quando a JBS, grupo Itaú e outros devem 450 bilhões de reais à Previdência, dados divulgados recentemente na CPI da Previdência, encerrada há poucos dias pelo Senado. Mas a mídia não divulga isso, porque ela também deve à Previdência, no bolo dos 450 bilhões.  É muito fácil dizer que a culpa do rombo da Previdência é culpa do funcionalismo público.  Pois é, uma hora a verdade aparece, não é mesmo ?

domingo, 11 de setembro de 2016

DESIGUALDADES SOCIAIS – SOCIALISMO X COMUNISMO – UMA ABORDAGEM




Recentemente, através do site o cafezinho, foi divulgado um artigo que contém um estudo sobre a desigualdade social no mundo e há um dado assustador: houve um aumento muito grande de 2008 para cá entre os 1% mais ricos e o restante da população do globo.  Os 1% mais ricos detém cerca de 90% ou mais de toda a riqueza mundial. Ainda há divulgações sobre o percentual do percentual do PIB da dívida externa dos países e nota-se no estudo um alto percentual de comprometimento da países do G20 neste estudo.  E o artigo que muito deste endividamento se dá pelo fato, principalmente dos países europeus, de gastarem muito em encargos sociais, previdência, justamente para se combater a desigualdade social que piorou muito neste período, principalmente depois da crise de 2008 nos EUA, provocado pela crise imobliária, das hipotecas, retratada no filme A Grande Aposta. E a ideia de se fazer o ajuste fiscal no Brasil que hoje tem um endividamento do PIB bem menor do que a Itália ou os EUA, é justamente socorrer esses países do G20.  Cruel, mas essa é a ideia, usar o Brasil que tem uma boa reserva internacional, para socorrer países europeus.

O que é preciso se entender é que desde que o mundo é mundo, desde o mercantilismo de Adam Smith e Colbert, é que infelizmente a ganância humana sempre foi o motor propulsor de políticas econômicas individualistas em detrimento dos demais.  E o liberalismo econômico é o filho do mercantilismo que gerou o seu neto, o capitalismo e este até hoje domina o mundo, passado de geração para geração.  Por isso, no depois da revolução industrial na Europa do século XVIII, o nível desse liberalismo chegou a tal nível, que na Alemanha surgiu uma dupla de filósofos alemães Marx e Engels que preconizaram a exploração do homem pelo homem e, na célebre publicação O Capital, Marx preconizou uma alternativa com vistas a deter o liberalismo e seu filho, o capitalismo, com vistas a diminuir o abismo já existente entre os trabalhadores e a grande burguesia da época: o Socialismo, como meio de política a diminuir a desigualdade crescente para depois implantar o comunismo, como prática sócio-econômica.


Em função disso, cabe aqui diferenciarmos o socialismo do comunismo, uma vez que as pessoas em geral confundem tudo pensando que os dois são uma coisa só e existem diferenças e não são poucas.  Um deriva do outro.  O socialismo foi uma teoria para o combate ao capitalismo que gerava uma distribuição completamente desigual de renda, onde os donos dos meios produção acumulavam pelo menos 80% da riqueza e o restante ficando para os trabalhadores.  Já o comunismo, através da ditadura do proletariado preconizava a revolução da classe trabalhadora com a luta de classes, para então dividir os meios de produção pelas comunas, onde cada um seria responsável pela produção, fazendo assim com que todos tivessem chances iguais de divisão da riqueza produzida; logo o socialismo prepara o terreno tentando frear a desigualdade e o comunismo consolidava essa redistribuição, sendo que o comunismo previa a revolução preconizada pelos trabalhadores a se espalhar pelo mundo todo.  E não em apenas um país, através de burocratas.  E foi esse o motivo pelo qual Trotski foi assassinado no anos 30 na Europa, a mando de Josif Stalin. E isso é que hoje é o motivo de combate à esquerda no mundo hoje: o erro crasso de Stalin, ao pensar na revolução apenas em um lugar; e isso criou uma forte burocracia estatal que acaba criando uma luta de classes entre si própria e não o que Trotski defendia a nível mundial.  O socialismo ainda gerou tendências hoje também à esquerda, como o socialismo ambiental e/ou ecológico, que é a base de partidos ecológicos pelo mundo e o socialismo democrático que inclui políticas como o estado do bem-estar social, muito comum na Europa. Mas as pessoas fazem confusão chamando aos que defendem o combate à desigualdade social, de comunistas. Nada mais equivocado ou uma ignorância por conveniência.


Em particular aqui em Pindorama, a desigualdade social que perdura desde 1500, é resultante de nossa evolução histórica como colônia de exploração e herdamos a burocracia tão típica dos ibéricos.  Então, quando do início de nossa colonização, vieram colonos para administrarem os engenhos de produção de cana-de-açúcar. E foi a partir daí, de geração em geração, com o tráfico negreiro para mão-de-obra, surgiu a aristocracia rural, que com o tempo originou os barões de café e do leite que por sua vez deram origem às oligarquias que hoje mandam no país.  Tudo infelizmente é devido à nossa péssima evolução histórica.  Essa é a origem de nossos problemas, de nossa política, que elegem políticos que em sua maioria defendem os interesses dos mais privilegiados, em detrimento dos mais pobres, dos negros, das mulheres, enfim.  O Brasil é cheio de privilégios egoístas e coloca boa parte de sua população uns contra os outros, com ódio, racismo e outras mazelas.  Assim, a desigualdade social aqui tem origens mais particulares e é difícil se combater devido ao individualismo próprio do brasileiro que não quer que outros também tenham uma vida ao menos digna.  Mas um dia, esse dia há de chegar e possivelmente a grande massa empobrecida poderá tomar o poder à força e resolver isso à força por meio de revoltas populares cada dia mais frequentes.  Para se refletir.



segunda-feira, 22 de agosto de 2016

OLÍMPIADA RIO 2016 - balanço final




Ontem encerrou-se a olimpíada Rio 2016.  Quebras de recordes mundiais e olímpicos, as apoteoses de Usain Bolt e Michael Phelps, o show de Kevin Durant e a consagração do Brasil, conquistando finalmente o ouro em uma olimpíada no futebol e a melhor participação brasileira nos jogos olímpicos,  Esta é a síntese da Rio 2016, uma olimpíada bem sucedida, com uma grande festa no Rio de Janeiro, com alguns percalços, mas no final de tudo, um evento de grande sucesso, sem dúvida.

Em relação ao aspecto generalista, grandes destaques para Michael Phelps, o maior atleta olímpico de todos os tempos e uma das lendas mundiais, faturando três ouros e uma prata e assim, saindo de cena em grande estilo.  E o que dizer de Usain Bolt, tricampeão olímpico dos 100m rasos no atletismo ? Outra lenda esportiva, todos os dois inscreveram seus nomes na galeria dos grandes atletas, ao lado de nomes como Pelé, Michael Jordan, Ayrton Senna, Magic Johnson.  E o que dizer de Sérgio Escadinha, líbero da seleção brasileira de vôlei masculino, grande artífice do tricampeonato do Brasil na Olimpíada ? E Carmelo Anthony batendo o recorde de pontos da seleção de basquete dos EUA e se tornando também tricampeão olímpico ? Ou seja, muitos destaques que não cabem aqui neste artigo e que fizeram história na Rio 2016.

Agora, quanto a participação brasileira na Rio 2016, depois de um início claudicante com apenas um ouro, de Rafaela Silva, do meio para o final, o Brasil deu uma boa arrancada e fechou com sua melhor participação nos jogos olímpicos com 19 medalhas:,7 de ouro, 6 de prata e 6 de bronze. Cabe destacar que nesta última participação, o número de medalhas de ouro foi o maior da história, superando Atenas, onde foram conquistadas 5 medalhas de ouro; observando também que o número de medalhas de ouro nesta edição foi maior do que as de prata e bronze. Foi a primeira vez em que isso aconteceu na história da participação do Brasil em Olimpíadas.  Confirmando o que foi escrito em artigos anteriores, o Brasil não conseguiu chegar ao top 10 entre os países com mais medalhas.  Mas a razão do porquê disso, se divide em muitas.  É preciso considerar que, apesar da lei Agnello/Piva, de 2001 que destina um percentual de 2% do arrecadado em loterias para o COB e o CPB, conforme artigo de Marcelo Barreto publicado no O Globo de ontem, ainda não há uma estrutura de ponta para o esporte aqui no Brasil; pelo contrário há muito ainda a ser feito.  Para termos uma equipe esportiva de ponta, é preciso investir no esporte como política de estado, de inclusão social.  Enquanto não dotarmos as escolas públicas de infra estrutura esportiva, além de universidades, gerando uma boa base de revelação de atletas, continuaremos a viver de brilhos isolados, como o caso de Isaquias Queiroz na canoagem, que conquistou duas medalhas de prata e uma de bronze.  No caso da lei Agnello/Piva, a Confederação de canoagem soube usar a verba a que tinha direito e contratou o técnico Jesús Morlán, espanhol, além de construir uma estrutura em Lagoa Santa, MG que proporcionou o sucesso da canoagem.  A questão é como o COB e as demais confederações usam a verba para estruturar os esportes.  O que se percebe é que em poucas , o uso é bem sucedido.  Veja o judô: com uma verba grande, o judô conquistou aquém do que foi aplicado em sua estrutura. De qualquer modo, independente da aplicação da dotação orçamentária prevista na lei Agnello/Piva, é preciso se estruturar as escolas de estrutura esportiva, para que se revele novos talentos, além da inclusão social que a perspectiva do esporte oferece; ou seja, a política esportiva é fundamentalmente vinculada à uma política de educação decente.

Agora, o período derradeiro:  fechamos bem os jogos 2016, com o ouro olímpico em nossos esportes mais populares: o futebol e o vôlei.  Não se poderia encerrar de melhor maneira a participação brasileira nos jogos em nossa casa.  No futebol, um jogo nervoso, em que a Alemanha esteve melhor em boa parte do tempo, principalmente no tempo normal, apesar do gol antológico de Neymar , de falta.  Mesmo assim, os alemães não se abalaram e continuaram tocando a bola, insistindo até empatar. Só que na prorrogação, eles cansaram e decidiram levar para os pênaltis; e se deram mal.  A questão do 7 a 1 sempre será algo que ficará marcado; claro que ganhar a medalha de ouro em cima deles, em parte recupera nosso orgulho; mas o 7 a 1, infelizmente está na história.  Noves fora, o Brasil fez por merecer esta medalha e o grupo está de parabéns.

No vôlei, o bi, agora tricampeão olímpico voltou.Depois de uma primeira fase, em que chegamos à beira da eliminação, a vitória de 3 a 1 sobre a França no último jogo foi o divisor de águas para uma arrancada histórica: pulverizamos os hermanos com uma contundente vitória de 3 a 1; e depois duas vitórias categóricas de 3 a 0 sobre a Rússia e a Itália nessa ordem que não deixam margem para dúvidas. Nunca se subestima o Brasil, em matéria de vôlei. E isso foi provado ontem.  Uma arrancada histórica.

Por fim, a mensagem final.  Que o Brasil aprenda bem com os jogos realizados aqui, a melhorar e aprimorar essa boa participação que tivemos.  Que as políticas de educação e de esporte possibilitem aos atletas, não só a melhoria de seus desempenhos, como a inclusão social.  Sem isso, o esporte brasileiro continuará a viver de brilhos esporádicos.

quinta-feira, 18 de agosto de 2016

Rio 2016 - A parte intemediária e o que resta



Os jogos olímpicos Rio 2016 já estão a atingir sua fase derradeira, e com isso algumas medalhas estão a vir para o Brasil, colocando-o atualmente entre os 15 primeiros colocados no quadro de medalhas.  Do primeiro post para cá, ainda estavam a ocorrer o desfile de Michael Phelps em nossas piscinas e ainda estávamos apenas com uma medalha de ouro, de Rafaela Silva.  Com o passar dos dias, conquistamos mais três ouros e podemos chegar quem sabe a mais dois, com o futebol e o vôlei de praia.

Nesses dias, muita coisa ocorreu; a eliminação do basquete mascuino, bem como a do vôlei feminino, o desfile do Usain Bolt, faturando o tricampeonato nos 100m rasos, a medalha de ouro de Thiago Braz no salto com vara.  Ou seja, para o Brasil, algumas vitórias surpreendentes e eliminações doídas.

Para começar, a do basquete masculino.  Depois da derrota ante a Argentina, em que ficou duas vezes a frente e ganhar a partida, era questão de tempo a eliminação.  E ela veio com requintes de crueldade, em uma surra da Espanha contra a Argentina, com uma vantagem de 30 pontos. Conforme debatido, a verdade é que aparentemente falta comando no basquete brasileiro.  O basquete feminino perdeu todas as partidas.  Inclusive no basquete feminino, há uma precariedade enorme na estrutura de base no esporte, onde há anos não surge uma grande revelação.  No basquete masculino, tivemos uma geração, que embora tenha tido grandes talentos que jogam na NBA, estes não se revelaram jogadores decisivos na seleção.  É hora de se reestruturar o nosso basquete.

Outra derrota que não foi surpreendente, mas que foi profundamente dolorida, tendo em vista que o emocional desmoronou ao longo do jogo, foi a da seleção de vôlei feminino que depois de uma primeira fase impecável, sem perder um único set, foi eliminada pela seleção da China, que se chegar à final, poderá se sagrar tricampeã olímpica, tal como Cuba.  É uma camisa de respeito e poucos talvez soubessem disso.  Mas com uma baita ex-atacante no banco técnico, Lang Ping, a China teve atuação irrepreensível e nos derrotou.  Faltou equilíbrio emocional à nossa seleção.

Quanto às demais medalhas obtidas, merecem destaque: a de Thiago Braz que, em uma estratégia precisa, saltou 6,03 m , encurralou o campeão mundial Renaud Lavillenie e levou o ouro.  Até Marte, o francês reclamará da vara, que não sentou nela.  Pode resmungar até no túmulo mais adiante Lavillenie, mas Thiago Braz é ouro.   A terceira veio com um baiano bom de briga.  Após derrotar o campeão mundial, o cubano Lazaro Álvarez, favorito ao ouro, Robson Conceição dominou inteiramente o lutador francês e levou o ouro.  A última foi hoje.  Em uma briga intensa, após muitas alternâncias de posições com as equipes da Nova Zelânida e da Dinamarca, Martine Grael e Kahena Kunze levaram o ouro. Foi uma regata emocionante.  Merecem destaque também, as medalhas de prata de Isaquias Queiroz na canoagem, um esporte quase desconhecido no Brasil e da dupla Ágatha e Bárbara que perderam para a dupla alemã.  Nessa final, não tinha como parar as alemãs. Jogaram muito, sem dar chance alguma à dupla brasileira.

O futebol conseguiu chegar a uma final por um lado e bateu na trave no outro.  A seleção feminina do Brasil dominou inteiramente a partida nos 120 minutos; mas faltou a bola entrar.  A Suécia foi competente em sua proposta: defender-se e jogar nos contra-ataques ou levar a partida para os pênaltis.  Atingiu seu objetivo. Quanto a Neymar e cia, aos 14 segundos o Brasil fez 1 a 0.  Ou seja, em 14 segundos, desmorona-se um time quando este se propõe a um  esquema defensivo  a fim de virar o jogo.  Honduras tomou um gol cedo, se abriu e aí abriu-se o parquinho. Três gols no primeiro tempo e três no segundo.  Em que pese a fragilidade do time hondurenho, não se pode tirar os méritos do time de Micale. Tivemos boas jogadas, dois gols de categoria de Gabriel Jesus; houve momentos de bom futebol. E agora, a perigosa Alemanha. Vamos que vamos para tentar o tão sonhado ouro.

A dupla de vôlei Alisson Cerutti e Bruno Schimitt tiveram um jogo duro contra uma dupla holandesa, mas tiveram calma e inteligência e derrotaram-na por 2 a 1. Daqui a pouco lutarão pelo ouro contra a Itália. Vão com fé Alisson e Bruno.

Basicamente, o meio das competições foi isso.  Com destaque para o raio Usain Bolt, tricampeão dos 100m rasos. Tal como Phelps, outro destaque olímpico.

sábado, 13 de agosto de 2016

Olimpíadas 2016 - Análise parcial e o que ainda vem por aí


 


Ao final da primeira semana da Olimpíada de 2016, a destacar o brilho de Michael Phelps, um gênio das piscinas, com 4 provas, 3 ouros e 1 prata.  Sensacional, certamente o melhor de todos os tempos na cena olímpica.  E menção ao gênio do tatame, Teddy Riner.  De um modo geral, nas provas esportivas tudo dentro do esperado, com as potências esportivas de sempre em suas posições de costume, fazendo menção honrosa ao Japão que estava em terceiro lugar no quadro geral de medalhas até a última quarta-feira, revelando um belo plano de trabalho para os jogos de Tóquio em 2020, onde pretendem superar sua principal rival na política e no esporte: a China, talvez hoje a maior potência esportiva em quase todos os esportes. Só não supera os EUA, porque é mais fraca no basquete, natação, futebol e atletismo.  Mas um dia eles chegam lá.  Com relação ao Brasil, destaque para Rafaela Silva, nossa judoca guerreira e impecável e Felipe Wu no tiro; e também Mayra Aguiar, brilhante no tatame com o merecido bronze.

E o Brasil ?  Pois é,luta como nunca perde como sempre.  Saldo negativo, mesmo com os atletas citados no parágrafo anterior que obtiveram as medalhas, temos que ressaltar que, infelizmente a maioria de nossos atletas ainda parece carecer de uma preparação psicológica, do acreditar que é possível vencermos, temos que superar a nós mesmos.  Nós não conseguimos acreditar em nosso potencial.  O COB investiu pesado de Londres para cá na preparação de nossos atletas.  Mas pelos resultados até agora, vê-se que diante do investimento feito, o resultado está muito aquém e deverá ser assim ao final dos jogos.  Não estamos a ver nos atletas brasileiros, a gana de vencer vista nos demais atletas.  Corremos o risco de ficar até atrás de Argentina e Colômbia nesses jogos, o que seria um verdadeiro fracasso, com todo o respeito a nossos vizinhos sul-americanos.  Lamentável.

Para ilustrar o que está a ser escrito até aqui, vamos analisar algumas derrotas doídas e lamentáveis.  Há pouco, no basquete masculino, vimos o Brasil praticamente ter a vitória nas mãos diante da Argentina e no final do tempo normal, permitimos o empate.  E após duas prorrogações perdemos.  O que está errado nisso tudo ?  Do grupo masculino do basquete, temos Nenê, Raulzinho, Huertas, :Leandrinho, Anderson Varejão, Tiago Splitter, Cristiano Felício e Lucas Nogueira que jogam na NBA.  Dois deles são campeões na NBA, Splitter e Leandrinho.  Não adianta dizer que Splitter e Varejão fizeram falta.  Esta foi a melhor geração que tivemos nos últimos 10 anos, mas como time não deu certo. Antes de Magnano, tivemos outros técnicos e o time não funcionou, cometendo erros cruciais em momentos que não deviam cometer. Foi o que aconteceu hoje no jogo com a Argentina e também contra a Croácia.  Erros em rebotes, arremessos fáceis e erros na defesa que permitia constantemente arremessos de 3 pontos que foram cruciais para os adversários, sendo que um desses permitiu o empate à Argentina no tempo normal. .  São bons jogadores ?  Acredita-se que sim, senão não estariam na NBA.  Mas o psicológico  falhou mais uma vez e jogamos como nunca, perdemos como sempre. Estamos fora, boa geração de jogadores perdida. Então, é começar do zero para quem sabe, chegarmos a uma medalha olímpica daqui a quatro anos.

Também no vôlei masculino, vimos o Brasil perder de forma humilhante para os EUA.  Para um time bicampeão olímpico e com duas medalhas de prata, tomamos uma aula de vôlei na última quinta-feira, com uma recepção falha, permitindo vários aces.  Também vemos falta de atitude em alguns jogadores dessa seleção, a famosa atitude, tal qual no basquete masculino.  Mas pelo menos passaremos às quartas de final, mas esperamos uma mudança de atitude da equipe masculina que tem bons jogadores também. Já o time feminino vem excepcionalmente bem.  Parecem estar sob controle. Mas ainda é cedo para se falar mais sobre isso, pois ainda estamos na fase de classificação em ambos os torneios.  Mas é óbvio que nem se compara na atitude das confederações dos dois esportes quanto ao investimento e trabalho em revelar jogadores. No caso do basquete, a CBB é um exemplo de incompetência abissal.

No vôlei de praia, temos duplas, tanto no masculino quanto no feminino que são campeãs mundiais atualmente.  Mas em jogos olímpicos tudo muda.  Tanto que uma de nossas duplas foi eliminada hoje (Solberg/Evandro).  Mas essa dupla, vendo alguns dos jogos, percebia-se o nervosismo flagrante em ambos, fazendo com que errassem jogadas que normalmente não erram.  Resultado: passaram de fase no sufoco e foram eliminados hoje.  Vamos ver os campeões mundiais Alisson e Schmitt como se sairão.  Já as duplas femininas estão a ir muito bem, aparentemente estão com o psicológico em cima. Vamos ver mais adiante.

No tênis, a nossa dupla Marcelo Melo/Bruno Soares sucumbiu frente a uma dupla romena que foi medalha de prata.  Também falharam em momentos cruciais no jogo, a frieza dos romenos foi fundamental para a vitória.  E sucumbimos nas mistas também. Reparem que o tempo todo a palavra psicologia permeia a análise até aqui feita.

No futebol, passamos de fase tanto no feminino quanto no masculino.  Mesmo com atuações claudicantes nos dois primeiros jogos, o time masculino teve uma atuação excelente contra a Dinamarca e passamos de fase. Hoje teremos o embate ante a Colômbia, nossa velha e conhecida adversária e freguesa.  Mas todo cuidado é pouco. Já a seleção feminina foi melhor na primeira fase e em uma decisão para cardíacos nos pênaltis contra a Austrália, estamos na briga por medalha.

Por hora, pelos resultados e pelo visto até agora, a meta do COB de ficar entre os dez primeiros dificilmente será alcançada.  Mas ainda temos olimpíada pela frente. Quem sabe agora no final reagimos e beliscamos algumas medalhas.  Olha a Colômbia e a Argentina em nossos calcanhares hein...