segunda-feira, 22 de agosto de 2016

OLÍMPIADA RIO 2016 - balanço final




Ontem encerrou-se a olimpíada Rio 2016.  Quebras de recordes mundiais e olímpicos, as apoteoses de Usain Bolt e Michael Phelps, o show de Kevin Durant e a consagração do Brasil, conquistando finalmente o ouro em uma olimpíada no futebol e a melhor participação brasileira nos jogos olímpicos,  Esta é a síntese da Rio 2016, uma olimpíada bem sucedida, com uma grande festa no Rio de Janeiro, com alguns percalços, mas no final de tudo, um evento de grande sucesso, sem dúvida.

Em relação ao aspecto generalista, grandes destaques para Michael Phelps, o maior atleta olímpico de todos os tempos e uma das lendas mundiais, faturando três ouros e uma prata e assim, saindo de cena em grande estilo.  E o que dizer de Usain Bolt, tricampeão olímpico dos 100m rasos no atletismo ? Outra lenda esportiva, todos os dois inscreveram seus nomes na galeria dos grandes atletas, ao lado de nomes como Pelé, Michael Jordan, Ayrton Senna, Magic Johnson.  E o que dizer de Sérgio Escadinha, líbero da seleção brasileira de vôlei masculino, grande artífice do tricampeonato do Brasil na Olimpíada ? E Carmelo Anthony batendo o recorde de pontos da seleção de basquete dos EUA e se tornando também tricampeão olímpico ? Ou seja, muitos destaques que não cabem aqui neste artigo e que fizeram história na Rio 2016.

Agora, quanto a participação brasileira na Rio 2016, depois de um início claudicante com apenas um ouro, de Rafaela Silva, do meio para o final, o Brasil deu uma boa arrancada e fechou com sua melhor participação nos jogos olímpicos com 19 medalhas:,7 de ouro, 6 de prata e 6 de bronze. Cabe destacar que nesta última participação, o número de medalhas de ouro foi o maior da história, superando Atenas, onde foram conquistadas 5 medalhas de ouro; observando também que o número de medalhas de ouro nesta edição foi maior do que as de prata e bronze. Foi a primeira vez em que isso aconteceu na história da participação do Brasil em Olimpíadas.  Confirmando o que foi escrito em artigos anteriores, o Brasil não conseguiu chegar ao top 10 entre os países com mais medalhas.  Mas a razão do porquê disso, se divide em muitas.  É preciso considerar que, apesar da lei Agnello/Piva, de 2001 que destina um percentual de 2% do arrecadado em loterias para o COB e o CPB, conforme artigo de Marcelo Barreto publicado no O Globo de ontem, ainda não há uma estrutura de ponta para o esporte aqui no Brasil; pelo contrário há muito ainda a ser feito.  Para termos uma equipe esportiva de ponta, é preciso investir no esporte como política de estado, de inclusão social.  Enquanto não dotarmos as escolas públicas de infra estrutura esportiva, além de universidades, gerando uma boa base de revelação de atletas, continuaremos a viver de brilhos isolados, como o caso de Isaquias Queiroz na canoagem, que conquistou duas medalhas de prata e uma de bronze.  No caso da lei Agnello/Piva, a Confederação de canoagem soube usar a verba a que tinha direito e contratou o técnico Jesús Morlán, espanhol, além de construir uma estrutura em Lagoa Santa, MG que proporcionou o sucesso da canoagem.  A questão é como o COB e as demais confederações usam a verba para estruturar os esportes.  O que se percebe é que em poucas , o uso é bem sucedido.  Veja o judô: com uma verba grande, o judô conquistou aquém do que foi aplicado em sua estrutura. De qualquer modo, independente da aplicação da dotação orçamentária prevista na lei Agnello/Piva, é preciso se estruturar as escolas de estrutura esportiva, para que se revele novos talentos, além da inclusão social que a perspectiva do esporte oferece; ou seja, a política esportiva é fundamentalmente vinculada à uma política de educação decente.

Agora, o período derradeiro:  fechamos bem os jogos 2016, com o ouro olímpico em nossos esportes mais populares: o futebol e o vôlei.  Não se poderia encerrar de melhor maneira a participação brasileira nos jogos em nossa casa.  No futebol, um jogo nervoso, em que a Alemanha esteve melhor em boa parte do tempo, principalmente no tempo normal, apesar do gol antológico de Neymar , de falta.  Mesmo assim, os alemães não se abalaram e continuaram tocando a bola, insistindo até empatar. Só que na prorrogação, eles cansaram e decidiram levar para os pênaltis; e se deram mal.  A questão do 7 a 1 sempre será algo que ficará marcado; claro que ganhar a medalha de ouro em cima deles, em parte recupera nosso orgulho; mas o 7 a 1, infelizmente está na história.  Noves fora, o Brasil fez por merecer esta medalha e o grupo está de parabéns.

No vôlei, o bi, agora tricampeão olímpico voltou.Depois de uma primeira fase, em que chegamos à beira da eliminação, a vitória de 3 a 1 sobre a França no último jogo foi o divisor de águas para uma arrancada histórica: pulverizamos os hermanos com uma contundente vitória de 3 a 1; e depois duas vitórias categóricas de 3 a 0 sobre a Rússia e a Itália nessa ordem que não deixam margem para dúvidas. Nunca se subestima o Brasil, em matéria de vôlei. E isso foi provado ontem.  Uma arrancada histórica.

Por fim, a mensagem final.  Que o Brasil aprenda bem com os jogos realizados aqui, a melhorar e aprimorar essa boa participação que tivemos.  Que as políticas de educação e de esporte possibilitem aos atletas, não só a melhoria de seus desempenhos, como a inclusão social.  Sem isso, o esporte brasileiro continuará a viver de brilhos esporádicos.

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