Recentemente, através do site o
cafezinho, foi divulgado um artigo que contém um estudo sobre a desigualdade
social no mundo e há um dado assustador: houve um aumento muito grande de 2008
para cá entre os 1% mais ricos e o restante da população do globo. Os 1% mais ricos detém cerca de 90% ou mais
de toda a riqueza mundial. Ainda há divulgações sobre o percentual do
percentual do PIB da dívida externa dos países e nota-se no estudo um alto percentual
de comprometimento da países do G20 neste estudo. E o artigo que muito deste endividamento se
dá pelo fato, principalmente dos países europeus, de gastarem muito em encargos
sociais, previdência, justamente para se combater a desigualdade social que
piorou muito neste período, principalmente depois da crise de 2008 nos EUA,
provocado pela crise imobliária, das hipotecas, retratada no filme A Grande
Aposta. E a ideia de se fazer o ajuste fiscal no Brasil que hoje tem um endividamento do PIB bem menor do que a Itália ou os EUA, é justamente socorrer esses países do G20. Cruel, mas essa é a ideia, usar o Brasil que tem uma boa reserva internacional, para socorrer países europeus.
O que é preciso se entender é que desde que o mundo é mundo, desde o mercantilismo
de Adam Smith e Colbert, é que infelizmente a ganância humana sempre foi o
motor propulsor de políticas econômicas individualistas em detrimento dos
demais. E o liberalismo econômico é o
filho do mercantilismo que gerou o seu neto, o capitalismo e este até hoje domina
o mundo, passado de geração para geração.
Por isso, no depois da revolução industrial na Europa do século XVIII, o
nível desse liberalismo chegou a tal nível, que na Alemanha surgiu uma dupla de
filósofos alemães Marx e Engels que preconizaram a exploração do homem pelo
homem e, na célebre publicação O Capital, Marx preconizou uma alternativa com
vistas a deter o liberalismo e seu filho, o capitalismo, com vistas a diminuir
o abismo já existente entre os trabalhadores e a grande burguesia da época: o
Socialismo, como meio de política a diminuir a desigualdade crescente para
depois implantar o comunismo, como prática sócio-econômica.
Em
função disso, cabe aqui diferenciarmos o socialismo do comunismo, uma vez que
as pessoas em geral confundem tudo pensando que os dois são uma coisa só e
existem diferenças e não são poucas. Um
deriva do outro. O socialismo foi uma
teoria para o combate ao capitalismo que gerava uma distribuição completamente
desigual de renda, onde os donos dos meios produção acumulavam pelo menos 80%
da riqueza e o restante ficando para os trabalhadores. Já o comunismo, através da ditadura do
proletariado preconizava a revolução da classe trabalhadora com a luta de
classes, para então dividir os meios de produção pelas comunas, onde cada um
seria responsável pela produção, fazendo assim com que todos tivessem chances
iguais de divisão da riqueza produzida; logo o socialismo prepara o terreno
tentando frear a desigualdade e o comunismo consolidava essa redistribuição,
sendo que o comunismo previa a revolução preconizada pelos trabalhadores a se
espalhar pelo mundo todo. E não em
apenas um país, através de burocratas. E
foi esse o motivo pelo qual Trotski foi assassinado no anos 30 na Europa, a
mando de Josif Stalin. E isso é que hoje é o motivo de combate à esquerda no
mundo hoje: o erro crasso de Stalin, ao pensar na revolução apenas em um lugar;
e isso criou uma forte burocracia estatal que acaba criando uma luta de classes
entre si própria e não o que Trotski defendia a nível mundial. O socialismo ainda gerou tendências hoje também à esquerda, como o socialismo ambiental e/ou ecológico, que é a base de partidos ecológicos pelo mundo e o socialismo democrático que inclui políticas como o estado do bem-estar social, muito comum na Europa. Mas as pessoas fazem confusão chamando aos
que defendem o combate à desigualdade social, de comunistas. Nada mais
equivocado ou uma ignorância por conveniência.
Em particular
aqui em Pindorama, a desigualdade social que perdura desde 1500, é resultante
de nossa evolução histórica como colônia de exploração e herdamos a burocracia
tão típica dos ibéricos. Então, quando
do início de nossa colonização, vieram colonos para administrarem os engenhos
de produção de cana-de-açúcar. E foi a partir daí, de geração em geração, com o
tráfico negreiro para mão-de-obra, surgiu a aristocracia rural, que com o tempo
originou os barões de café e do leite que por sua vez deram origem às
oligarquias que hoje mandam no país.
Tudo infelizmente é devido à nossa péssima evolução histórica. Essa é a origem de nossos problemas, de nossa
política, que elegem políticos que em sua maioria defendem os interesses dos
mais privilegiados, em detrimento dos mais pobres, dos negros, das mulheres,
enfim. O Brasil é cheio de privilégios
egoístas e coloca boa parte de sua população uns contra os outros, com ódio,
racismo e outras mazelas. Assim, a
desigualdade social aqui tem origens mais particulares e é difícil se combater
devido ao individualismo próprio do brasileiro que não quer que outros também
tenham uma vida ao menos digna. Mas um
dia, esse dia há de chegar e possivelmente a grande massa empobrecida poderá
tomar o poder à força e resolver isso à força por meio de revoltas populares
cada dia mais frequentes. Para se
refletir.













